PUBLICADO EM 06/11/2019

        

    Por um "Vale do Silício" Santista

Sérgio Sérvulo da Cunha, advogado e coordenador do 
Fórum da Cidadania de Santos

Wagner de Alcântara Aragão, presidente do Centro de   Tecnologia da Informação do Fórum da Cidadania de Santos

 

Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos, é o berço do chamado “petróleo do século XXI”: a tecnologia da informação e comunicação. Reúne as maiores companhias do setor, no planeta. Virou sinônimo de inovação, pesquisa, desenvolvimento, criatividade. De pujança econômica.

Constituir-se num “Vale do Silício” é, pois, um sonho de regiões mundo afora. Pode ser o da nossa Baixada Santista, também. Primeiro, porque diante desta crise econômica e social que assola o Brasil nos últimos cinco anos, urge buscarmos redenção, oportunidade de emprego, renda, justiça social. Segundo, porque já temos as bases para nos tornarmos um polo de produção de soluções tecnológicas.

Se não, vejamos.

Na região metropolitana temos uma vintena de instituições de ensino superior – entre universidades, centros universitários, faculdades e escolas de curso de graduação e pós-graduação. É uma verdadeira multidão de estudantes e acadêmicos ávidos por investigar, descobrir, produzir conhecimento. E produzindo! Uma dessas instituições, aliás, é do ramo: a Faculdade de Tecnologia de São Paulo, pública, mantida pelo Estado.

O Parque Tecnológico de Santos parece que, enfim, vai começar a funcionar, no primeiro semestre do ano que vem. Está sendo erguido bem próximo à maior parte das instituições de ensino superior de que falamos. Ao parque, universidades e faculdades, somam-se as vilas criativas, que podem funcionar como multiplicadoras e ao mesmo tempo alimentadoras de ideias vindas das comunidades.

Isso sem contar com o porto, o polo industrial de Cubatão, as atividades de turismo, comércio e serviço nos demais municípios da Baixada Santista. São atividades que demandam por soluções tecnológicas o tempo todo; são, portanto, mercado em potencial, mas não só: podem atuar também como laboratório para experimentos e inovações.

Esse cenário traçado mostra que a bola está quicando, diante de nós, à frente do gol. Tivemos há pouco, em Santos, a quinta edição da Semana de Ciência e Tecnologia, com atividades a demonstrar horizonte promissor. Tanto assim que atraiu a participação de representante de uma das gigantes mundiais, a Amazon. Podemos, claro, aproveitar expertises outras, no entanto temos todas as condições de engendrarmos nosso próprio conhecimento, autônomo, soberano, que gere riquezas aqui, e para aqui as reverta.

A chance de anotarmos esse tento não pode ser desperdiçada. A indústria de tecnologias da informação e comunicação é uma atividade com impactos ambientais mínimos, e possibilidades máximas de inclusão econômica e social. Ela pode ser construída no contexto de uma economia solidária, independentemente dos laços que, na origem, a fazem dependente da ótica e da ética neo-liberal.

É essa perspectiva – a da inclusão e da solidariedade –    que deve nortear a mobilização em torno de um Vale do Silício santista. A busca por um polo tecnológico para gerar emprego e renda só faz sentido se ele se inserir numa teoria humana da criatividade, e se os dividendos dessa riqueza, os conhecimentos e soluções engendrados, sejam aplicados no combate às nossas desigualdades.

É por um Vale do Silício santista com esse horizonte (de um outro mundo possível), que o tema está, entre tantos outros, em discussão no próximo Fórum Social da Baixada Santista, entre 8 e 10 de novembro. Por meio do Centro de Tecnologia da Informação do Fórum da Cidadania de Santos, será pauta de uma das rodas de conversa do evento, que chega à segunda edição. Se você, leitor, acha que tecnologias, soluções e criatividade devem ser postas a serviço de uma sociedade mais justa e solidária, é só chegar e participar.

 

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