O canto da cigarra

Em “O canto da cigarra”, Sérgio Paolozzi reúne suas “Cartas da rua”, 71 crônicas publicadas no jornal Cidade de Santos de 1985 a 1987, quando esse jornal fechou.

A crônica, já se disse, é um repolho que virou flor. O cronista não fala de fatos eminentes: é um modesto comentarista das pequenas coisas do quotidiano, traçando, com a ponta do seu pincel, os mesmos tênues fios com que se tecem nossas vidas: alegria, dor, esperança e encantamento.

A essas crônicas se acrescentam 24 contos, em cuja narrativa Paolozzi usa a mesma receita das crônicas: em sua palheta há somente cores suaves; é a mesma serenidade que, para uma lente que se aproxima e distende em escala planetária, faz fundir e tornar transparentes o ódio e o amor.

 

 
 

O galo urbano

Que perícia do poeta em sua coloquialidade carregada e infinitos significados desdobrados em outras muitos sentidos. O cotidiano encantado, nossos atavismos e telurismos, a tessitura de crônica, o empenho do conto rimado. Que perícia de artesão na musicalidade cadenciada de cada estrofe que ecoa em outra estrofe tecendo preciosa imagética. A poeticidade que nunca descuida da indignação, da denúncia bem torneada, o dedo em riste sem nunca cair no panfletário.

O poeta revelando com mais ênfase a atemporalidade de nossa admiração pelo humanista, o filósofo, o guerreiro. Li atento, mas um destaco dessa seleta: “Tangência” verso que nasce antológico. Na disposição, na forma, na variedade de conteúdo um livro de maturação, daquilo que sempre ressalto a boa obra: literatura como “curtição da linguagem”. A coletânea é desses esforços raros de alma que deliciosamente revelam ainda o leitor dos mestres aqui revividos: Bandeira, algum Drummond, certo Quintana. Nosso amigo Sérgio Paolozzi nos presenteia com reflexão poetizada, nosso mundo dissecado, a esperança ainda empunhada de lirismo eloquente. Hermes Benjamim (poeta e crítico literário)


 

 

Poemas de toda a vida


Sinopse:

Ao ler os poemas de Sérgio Paolozzi imaginamos que ele escreveu seus poemas como quem respira diferente e o ar não lhe preenche os pulmões. Entra pela alma. Talvez, nem isso, mas decerto ele os escreveu após afagar um cão ou um gato, enquanto a esperada chuva se eternizava ao ser servida com bolinhos de bananas; ou então seus graciosos poemas nasceram enquanto o filósofo aguardava a chegada do poeta, numa estação de trem toda embrumada, onde a luz tímida teimava em tirar mofos das paredes.
Ah! Dirão os mais sinceros, sensíveis fugitivos das ilhas: os poemas do Sérgio foram escritos quando o noroeste penetrava a maresia e todos os cheiros espalhavam-se pelos jardins das praias de Santos. Tudo era tão forte, tão violento, que só se podia fazer poesia. Talvez, essa imagem sinestésica possa ajudar o leitor, se não vier a confundi-lo.
Isso porque dentro do Sérgio, moram mais de sete bilhões de seres humanos e com eles, e antes deles, todos os animais, as florestas, os mares, as terras, o sol, a lua e todos os deuses que nos protegem ou mesmo as semideusas que nos fortalecem: Afrodite, Minerva, e a nossa, Iara.
Sérgio suspira vida, humanidade e lirismo. Como todo o poeta ele é vário e todo desencontro. Às vezes só, único, simples e belo na sempiterna busca da palavra.
Sem dúvida nenhuma, Sérgio Paolozzi vem abrilhantar o catálogo da Editora Nhambiquara por tecer com suas palavras poesias tão belas, imagens tão fortes e fazer valer o que hoje é parte de nossa missão: trazer ao público as mais diversas "falas inteligentes de gente boa*".

* Nhambiquara (tupi-guarani): fala inteligente de gente boa.



 

 

 

 

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